Viva o S. João – As tradições da festa

A noite de S. João está cheia de tradições, como o alho-porro (ou martelinho de plástico), os balões de ar quente (agora proibidos), o saltar a fogueira, os arraiais populares e o fogo de artifício.

Os alhos-porros, usados para bater nas cabeças das pessoas que passam, são emblemáticos da festa. Pena que a partir dos anos 70, tivessem sido substituídos pelos martelos de plástico, que desempenham o mesmo papel do alho-porro, tendo, curiosamente, também um aspeto fálico. Nos anos 70, nas Fontaínhas, vendia-se ainda, na noite de S. João, pão com a forma de um falo com dois testículos, atestando as conotações da festa com as antigas festas da fertilidade. Há, ainda, quem afirme que o alho-porro protege do mau olhado.

O lançamento de balões de ar quente (agora proibida devido ao perigo de incêndio), estando inevitavelmente ligado ao culto do sol e do fogo (que aparece agora sob a forma de lançamento de balões de ar quente e de fogo de artifício) é um resquício de tradições pagãs assumidas pelo povo. Germano Silva encontra um certo paralelismo entre o presépio da noite de Natal (próxima do solstício de Inverno) e as cascatas Sanjoaninas (celebração do solstício de Verão). O facto de ser uma atividade de grupo, em que todos contribuem na sua preparação e lançamento, contribui para a festa e a folia.

A cascata é uma tradição única do São João do Porto e tem a figura do santo no centro. Um elemento obrigatório é a água, enquanto elemento que limpa e purifica, presente na já comum orvalhada de São João e nos mergulhos dos mais corajosos na praia da Foz. A cascata, no entanto, representa a vida de uma aldeia após a colheita. Consta que as Fontaínhas só se tornaram um local de passagem obrigatória na noite de São João quando, em 1869, um morador do bairro montou uma monumental cascata, oferecendo café a quem a fosse ver. As pessoas deslocaram-se em multidões para ver a bonita cascata (e tomar o seu café), tornando-se as Fontaínhas, um lugar IN da noite de São João no Porto.

Os saltos sobre as fogueiras espalhadas pela cidade, normalmente nos bairros mais tradicionais, significam a bravura dos portuenses e a capacidade de saltar todos as dificuldades e tribulações.

Os vasos de manjericos com versos populares são uma presença constante nesta grande festa. Com um formato e um cheiro inconfundíveis, o manjerico é a erva aromática que celebra o São João (e também Santo António e São Pedro). Manda a tradição que se compre o manjerico e o conserve até o dia seguinte, não se devendo cheirar, mas tocar com a mão para só depois sentir o cheiro. O manjerico está relacionado com o amor, daí as quadras populares, muitas vezes de cariz romântico.

Igualmente típicos são os arraiais populares por toda a cidade do Porto, especialmente nos bairros das Fontainhas, Miragaia, Massarelos, entre outros. Nos arraiais, normalmente, existem concertos com diversos cantores populares, acompanhados, quase sempre, por boa comida.

Ver o fogo-de-artifício é algo imperdível na noite de São João. Boas vistas no Cais da Ribeira ou na margem sul do rio, no Cais de Gaia; em embarcações no Rio Douro, no Mosteiro da Serra do Pilar, no miradouro da Bataria da Vitória (ao fundo da Rua de S. Bento da Vitória), entre outros. O fogo de artifício chega a durar mais de 15 minutos e decorre no meio do rio em barcos especialmente preparados, sendo acompanhado por música num espetáculo multimédia.

(Fotografias de Rita Branco. In O Porto… encanta)